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84% DOS 167 MUNICÍPIOS DO RN ENFRENTAM SECA, E ÁGUAS DOSÃO FRANCISCO CHEGAM AO SERIDÓ

Spread the loveDados técnicos do Monitor da Seca, da Agência Nacional de Águas confirma que mais de 84% dos 167 municípios no Rio Grande do Norte, apresentaram algum nível de seca no mês de junho deste ano. Comparando junho de 2024, não houve seca registrada em nenhuma região potiguar. No mesmo mês dos anos de […]


RODRIGO RAFAEL
Diretor de Representação Institucional da ALRN
Jornalista com MBA em Environmental, Social and Governance (ESG) pelo IBMEC/São Paulo.

Dados técnicos do Monitor da Seca, da Agência Nacional de Águas confirma que mais de 84% dos 167 municípios no Rio Grande do Norte, apresentaram algum nível de seca no mês de junho deste ano. Comparando junho de 2024, não houve seca registrada em nenhuma região potiguar. No mesmo mês dos anos de 2022 e 2023, apenas secas fracas e moderadas foram registradas e em áreas menores.

A seca moderada atingiu 34,1% dos municípios no RN. Já a seca grave alcançou 30,5% das cidades potiguares, principalmente no Seridó e Alto Oeste. A seca fraca foi observada em 19,8% dos municípios, com foco maior no Agreste Potiguar. Segundo o Monitor da Seca, apenas 15,6% dos municípios ficaram classificados como sem seca relativa, no Litoral Leste. No período, a seca grave avançou no extremo oeste e a seca moderada avançou no centro-norte e oeste potiguar. Não houve registros de Seca Extrema ou Excepcional no Rio Grande do Norte, de acordo com o trabalho divulgado.

De acordo com a classificação de secas no Estado, levando com base junho de 2025, estão em "Seca Grave" 50 municípios: Água Nova, Alexandria, Almino Afonso, Antônio Martins, Caicó, Campo Grande, Caraúbas, Cruzeta, Encanto, Equador, Florânia, Francisco Dantas, Frutuoso Gomes, Ipueira, Itaú, Janduís, Jardim de Piranhas, Jardim do Seridó, João Dias, José da Penha, Jucurutu, Lucrécia, Luís Gomes, Major Sales, Marcelino Vieira, Martins, Messias Targino, Olho-d'Água do Borges, Ouro Branco, Parnamirim, Patu, Pau dos Ferros, Pilões, Portalegre, Rafael Fernandes, Rafael Godeiro, Riacho da Cruz, Riacho de Santana, Santana do Seridó, São Francisco do Oeste, São João do Sabugi, São José do Seridó, Serra Negra do Norte, Serrinha dos Pintos, Taboleiro Grande, Tenente Ananias, Timbaúba dos Batistas, Triunfo Potiguar, Umarizal e Viçosa.

As mudanças climáticas agravam a seca no Rio Grande do Norte, com aumento de temperatura e menor incidência de chuvas, intensificando a desertificação e impactando a agricultura, a disponibilidade de água e a vida das populações locais, especialmente as mais vulneráveis do Semiárido. Nos últimos dias, prefeitos de cidades atingidas com a seca, estiveram na Assembleia Legislativa, levantando preocupações dos munícipes em relação, principalmente, ao colapso na distribuição de água nas áreas urbanas e rurais das cidades.

O secretário de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), Paulo Varella admitiu a imprensa, que o Rio Grande do Norte ainda não tem prazo para definir se vai decretar emergência ou não em razão da seca, mas destacou que mais de 60 poços já foram perfurados somente nos últimos meses, com expectativa de chegar a 500 até abril de 2026. Segundo o secretário da Semarh, o Estado tem se preparado para reduzir os efeitos da seca com ações estruturantes e não estruturantes.

No Rio Grande do Norte, a seca já compromete colheitas, pastagens e a renda de famílias rurais, onde 61 cidades enfrentam situação grave. Diante do cenário, o Governo do Estado avalia decretar emergência, enquanto prefeituras relatam gastos extras em ações como abastecimento por carros-pipa, abertura de barreiros e perfuração de poços.

No dia 19 de agosto, o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes participou ao lado da governadora Fátima Bezerra, da cerimônia da chegada das Águas do São Francisco ao Seridó, que abrem nova era hídrica no Estado. Tudo começou no município de Jardim de Piranhas, e depois as aberturas das comportas da barragem de Oiticica, em Jucurutu, permitindo que o fluxo seguisse em direção à barragem Armando Ribeiro Gonçalves.

O Projeto de Integração do Rio São Francisco é a maior obra de infraestrutura hídrica do país, com 477 quilômetros de extensão em dois eixos. Ele vai garantir segurança hídrica a 12 milhões de pessoas em 390 municípios de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte. Com a abertura das comportas da barragem de Oiticica, as águas seguirão em direção ao maior reservatório do estado, a barragem Armando Ribeiro Gonçalves, inaugurando uma nova etapa de segurança hídrica.