AÇÃO POLÍTICA É ESSENCIAL PARA CONSOLIDAR A TESE, AFIRMA PRESIDENTE DA COMISSÃO DE TURISMO DA ALRN
Deputado Hermano Morais defende ação política ampla para ajudar na consolidação da tese de que o “descobrimento” do Brasil ocorreu no RN, endossa apoio à discussão e avalia a convocação de uma audiência pública para debater o assunto e traçar estratégias visando beneficiar o turismo potiguar
O presidente da Comissão de Turismo da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte (ALRN), deputado Hermano Morais, defende que “é crucial que a esfera política abrace as descobertas científicas para solidificar o argumento e direcionar recursos e esforços para a exploração turística" da tese que coloca o Rio Grande do Norte como primeiro local avistado e de desembarque dos portugueses.

Segundo ele, “toda a classe, em diversas esferas, deve estar empenhada em divulgar e sustentar a tese".
“No âmbito federal, levar a conhecimento e ampliar as discussões que esclarecem o fato. Já no plano mais local, pode-se criar projetos que deem ampla publicidade em locais públicos e privados de visitação como praias, shoppings, aeroportos, parques, etc", opina.
E complementa: “Na condição de presidente da Comissão de Turismo, vejo a publicação de artigos científicos que apontam a costa do RN como o primeiro local avistado e também como ponto de desembarque dos portugueses com grande entusiasmo e como um fator de profunda transformação para o estado".
“Ao reivindicar cientificamente ser o local do verdadeiro 'porto seguro' o RN pode adicionar uma camada robusta de turismo histórico e cultural de relevância nacional”
Na avaliação dele, “o fato de a nova proposta para o Monte Pascoal (chamado de Monte Pascoal Potiguar ou Morro da Serra Verde) e o ‘porto seguro’ (Praia do Marco) se alinharem às descrições detalhadas de Caminha confere a esses artigos uma credibilidade científica que não pode ser ignorada no debate turístico e histórico".
“Ao reivindicar cientificamente ser o local do verdadeiro ‘porto seguro’, o RN pode adicionar uma camada robusta de turismo histórico e cultural de relevância nacional, atraindo um novo segmento de visitantes e valorizar Sítios Históricos e Geográficos", observa.
“A intenção de convocar uma audiência pública é extremamente pertinente e necessária. Essa audiência pública serviria como um passo fundamental para apresentar a evidência científica”
O deputado afirma que é seu papel “apoiar ativamente a discussão dessa tese".
“A intenção de convocar uma audiência pública é extremamente pertinente e necessária. Essa audiência pública serviria como um passo fundamental para apresentar a evidência científica", diz.
Segundo Hermano, essa audiência pública seria a forma de reunir os autores dos artigos e outros especialistas para detalhar publicamente a análise de rota e a comparação das descrições do Monte Pascoal Potiguar e da Praia do Marco com os dados da Carta de Caminha.
“Além disso, envolveríamos o Governo do RN, a Assembleia Legislativa, a comunidade acadêmica, o setor privado de turismo e a sociedade civil na discussão e no planejamento da exploração turística", detalha.
Com relação à Assembleia Legislativa, o deputado acredita que o parlamento potiguar também pode ajudar nessa iniciativa para fortalecer o turismo potiguar. Na avaliação do parlamentar, isso poderia ser feito por meio da criação de “marcos legais que reconheçam e valorizem os sítios apontados pela pesquisa (como a Praia do Marco e o Morro da Serra Verde), garantindo sua preservação e a inclusão em roteiros turísticos estaduais".
“No orçamento, pedir para incluir a alocação de recursos para a pesquisa contínua e a validação da tese, bem como para o desenvolvimento de infraestrutura nas áreas afetadas, como o Rio Punaú/Praia de Zumbi (local do provável primeiro contato) e a Praia do Marco. Além disso, usar a influência política para promover a tese em nível nacional e internacional, integrando-a ao marketing oficial do estado", sugere, ainda com relação ao papel da ALRN.
No que diz respeito ao Governo do RN, Hermano Morais entende que a melhor forma de ajudar seria o Executivo adotar “uma postura proativa para impulsionar a discussão e a exploração turística da tese". Segundo ele, um primeiro passo seria a realização de campanhas de marketing e educação.
“Seria interessante também desenvolver a infraestrutura na Praia do Marco e no Morro da Serra Verde, destacando os pontos de avistamento e desembarque. Outra medida seria financiar as universidades (como a UFRN, ligada a um dos autores do estudo) para que continuem as investigações necessárias para a consolidação da tese e integrar os locais da descoberta (Morro da Serra Verde, Rio Punaú, Praia do Marco) em novos roteiros turísticos, promovendo uma narrativa coesa e baseada em dados", opina.
O deputado afirma que os dados científicos são muito fortes e que ele, pessoalmente, não acredita que o local do primeiro avistamento e desembarque da frota de Cabral foi em Porto Seguro (BA).
Ele vai além e ressalta que as evidências têm poder para alterar ainda mais a história oficial.
“É importante ressaltar que a chegada dos portugueses ao Brasil pode ter ocorrido antes mesmo da frota de Cabral. As investigações sugerem que o explorador português Bartolomeu Dias deve ter sido o primeiro europeu a chegar à costa nordeste do Brasil, impulsionado pelos ventos e correntes marítimas, como parte da manobra conhecida como ‘volta do mar’”, observa.
E enfatiza: “Essa primeira chegada de Bartolomeu Dias ao Nordeste do Brasil deve ter ocorrido no final de 1487, quase 13 anos antes da frota de Cabral. Isso fortalece ainda mais a primazia histórica do litoral nordestino, e especificamente do RN, na era das grandes navegações".
