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Aterro pode receber resíduos sólidos de 44 municípios do Alto Oeste

A região do Alto Oeste potiguar vai contar, a partir do próximo ano, com um importante equipamento de infraestrutura e desenvolvimento sustentável: o aterro sanitário para gerenciar os resíduos sólidos gerados nos 44 municípios abrangidos pelo investimento. O Aterro Oeste Ambiental está na fase final de im- plantação das obras físicas, em área de 50 hectares do município de Rodolfo Fernandes, à margem da BR-405. Desse total, 30 hectares serão utilizados na operação de recebimento, processamento, acondicionamento e destinação final do lixo; os outros 20 hectares constituem reserva legal de caatinga, obrigatória em empreendimentos similares.

“No momento, o que nós temos, até do ponto de vista de seguridade jurídica, é a Licença de Instalação. A gente está agora concluindo toda a parte de obra civil – as células onde o lixo é processado, recebido e acondicionado, a ad- ministração e a guarita. Quando essa fase for dada como finaliza- da pelo órgão ambiental através de vistoria, aí eles vão emitir a L.O., a Licença Operacional. A partir da L.O., aí sim, os portões vão estar abertos porque o aterro vai estar absolutamente apto a receber os resíduos sólidos. Acredito que, no final de janeiro, meados de fevereiro, a gente vai estar inaugurando o aterro para o recebimento dos resíduos”, explica o geólogo Daniel Santos, gerente operacional do Oeste.

Daniel participa do projeto desde 2019, quando se a iniciou a fase de licenciamento e im- plantação. Mas a ideia nasceu um pouco antes, no período em que o administrador Hudson Silvestre Bezerra trabalhou na coleta de lixo em cidades da região e

pôde constatar as consequências socioeconômicas e ambientais da falta de aterro sanitário na região. “De 2015 a 2017”, conta, “eu fui vendo a deficiência que exis- tia no RN. Já tinha estado em Pernambuco e na Paraíba, e nesses lugares cem por cento da destinação era correta, era para o aterro sanitário. E nessas regiões desassistidas do nosso estado, o que havia eram os lixões. Eu comecei a trabalhar na cidade de Taboleiro Grande (RN), em 2017, e via a deficiência. Em 2017, veio a ideia de procurar uma propriedade e implantar aterro sanitário. Eu via que ninguém falava, era uma região que fica distante da capital mais de 350 km, e aí veio a ideia. Fui vendo, estudando, vendo viabilidades econômicas, procurando profissionais, que é uma coisa difícil, achar profissionais da área com qualificação, e a coisa foi acontecendo, saiu de ideia, saiu de projeto de papel e pensamento e foi executada. Compramos a pro- priedade, contratamos empresas especializadas para fazer o estu- do de impacto ambiental, que é o EIA-RIMA, e aí a coisa aconteceu.”

DEMANDA

O projeto foi dimensionado para atender à demanda regional pelos próximos trinta anos, corri- gindo um grave problemas social e ambiental comum a todo o inte- rior do Rio Grande do Norte: ape-

nas uns poucos municípios dão a destinação correta aos resíduos sólidos. Atualmente, os 44 muni- cípios do Alto Oeste produzem cerca de 400 toneladas diárias de resíduos sólidos, enquanto a capacidade de processamento do aterro já é de 600 toneladas e pode ser ampliada até 1.500 to- neladas/dia. A direção do aterro negocia com os municípios atra- vés do Consórcio Intermunicipal Multifinalitário do Oeste Potiguar (CIMOP) e da associação que congrega todos os municípios da região.

As vantagens ambientais e financeiras de abolir os lixões, acabando com a queima que po- lui e gera doenças respiratórias, e de adotar o aterro sanitário são inequívocas. Mesmo assim, as dificuldades orçamentárias das prefeituras acabam por re- tardar a contratação do serviço. Para contornar entraves como o custo do transporte entre a sede do município e o aterro, a dire- ção do Oeste Ambiental sugere a implantação de estações de transbordo, onde os caminhões de coleta despejariam o lixo em caminhões maiores, que fariam o transporte final, com o custo ra- teado entre as prefeituras.

“A gente tem andado por outros aterros para agregar conhecimento e tem visto o quanto o RN está atrás, em termos de Nordeste. Parece que há um esforço para que as coisas não aconteçam.

Agora, através da iniciativa pri- vada, o estado está saindo dessa inércia, está mobilizando solu- ções que sejam viáveis”, enfati- za Daniel. “Para fortalecer meu argumento: temos 3 aterros co- nhecidos no estado. Paraíba tem muito mais. Pernambuco está a anos-luz, quase 30, entre públicos e privados. Alagoas praticamente erradicou. A gente se coloca como solução para a região e acredita que, a partir desse start, vai fazer com que se tire esse caos, esse atraso.”

Por isso, a atuação da empresa vai além do processamento e da destinação do lixo. O plano de trabalho inclui um viés de atuação social, para educar a população – especialmente as crianças e os jovens – a separar, armazenar e destinar corretamente o lixo, cumprindo a legislação ambiental e sanitária e melhorando a qualidade de vida nas cidades. “A gente tem de fazer um trabalho social na região e quer partir logo para esse lado da educação. A gente até se surpreende, quan- do chega lá, com o conhecimento dos jovens, de saber o impacto ambiental dos lixões e que aquilo ali, mesmo tocando fogo, para se decompor são 100 anos, os rios se acabam, o lençol freático onde tem lixão não presta para nada. Então, a gente partindo pra tecla da educação, eu acho que é o caminho mais viável”, finaliza Hudson.