BRASIL: DESCOBRIMENTO EM 1500 E POSSE EM 1501
Spread the loveA questão evidenciada neste estudo consiste em afastar as equivocadas hipóteses que insistem na suposição de que o Descobrimento do Brasil teria sido em Touros-RN e não na Bahia, como consta oficialmente na historiografia. Ora, os verdadeiros guardiões da História se baseiam em fatos e acontecimentos narrados e documentados, com provas e reconhecimento […]
A questão evidenciada neste estudo consiste em afastar as equivocadas hipóteses que insistem na suposição de que o Descobrimento do Brasil teria sido em Touros-RN e não na Bahia, como consta oficialmente na historiografia.
Ora, os verdadeiros guardiões da História se baseiam em fatos e acontecimentos narrados e documentados, com provas e reconhecimento científico, afirmando que o Brasil foi descoberto com a expedição de Cabral em 1500.
Os que defendem a infundada suposição da frota de Cabral ter aportado em Touros o fazem sem base sólida. Não apresentam documento nem prova alguma; apenas fazem uma vaga referência aos ventos elísios e à corrente marítima.
“Na carta está escrito que fora avistado um monte alto e redondo, com outras serras ao sul, mas o Pico do Cabugi é pontiagudo e não redondo, não tendo outras serras ao Sul”
Outras expedições que saíram do mesmo ponto, ou seja, Cabo Verde, na costa africana, chegaram a destinos diferentes. Podemos citar algumas para que o leitor veja que o argumento não faz sentido: em 1488, Bartolomeu Dias chegou ao sul da África; em 1498, Vasco da Gama chegou à Índia; no mesmo ano de 1498, Duarte Pacheco chegou à costa entre Maranhão e Pará; também no mesmo ano o espanhol Vicente Pinzón aportou na ponta do Mucuripe, no hoje estado do Ceará; em 1549 Tomé de Souza aportou na Bahia e a Família Real aportou no Rio de Janeiro em 1808.
Todas essas expedições partiram de Cabo Verde e certamente foram “desobrigadas”, ou mesmo “dispensadas”, da tal influência desses ventos e dessa corrente marítima. Isto prova que tais argumentos não são válidos.
O documento que narra a chegada de Cabral ao Brasil, no ano de 1500, é a carta de Pero Vaz de Caminha ao Rei D. Manoel, e nela constam diversas informações que jamais poderiam atestar a chegada de Cabral ao litoral potiguar.
Por exemplo: querem dizer que o Monte Pascoal avistado é o Pico do Cabugi. Na carta está escrito que fora avistado um monte alto e redondo, com outras serras ao sul, mas o Pico do Cabugi é pontiagudo e não redondo, não tendo outras serras ao sul.
Outra informação importante que consta na carta refere-se à distância do Monte Pascoal ao litoral, que é de aproximadamente 50 km, e o Pico do Cabugi está a mais de 150 km do litoral, não se tendo, de forma alguma, a mesma visão.
Outro grande e primordial desacordo com a realidade diz respeito ao comportamento dos indígenas das duas regiões. A carta de Caminha relata ao Rei de Portugal a gentileza e cordialidade dos indígenas daquele lugar, num diálogo amistoso e troca de saberes com os portugueses. Já no território potiguar, o tipo indígena era guerreiro e canibal, portanto muito diferente do que fora narrado por Caminha.
Aliás, esse foi um dos motivos do retardamento da colonização portuguesa na futura Capitania do Rio Grande, que só aconteceu quase cem anos depois, com a importante participação de Jerônimo de Albuquerque. Antes disso, em 1535, bem como em 1555, o então donatário da Capitania do Rio Grande, João Rodrigues Colaço, realizou duas tentativas de colonização, a primeira por ele próprio e a segunda pelos seus filhos, sendo ambas rechaçadas pelos índios, e com isso a Capitania nunca existiu de fato.
Outra comprovação é a narrativa de Américo Vespúcio, em sua carta Létera, de 1504, que documenta os feitos da expedição de 1501, por ocasião da Posse da Terra Brasileira, quando quatro tripulantes desembarcaram e, ao se arriscarem a uma aproximação dos índios, foram atacados e esquartejados.
O argumento mais categórico, por se tratar de dados numéricos, imunes a qualquer tipo de contestação, vem do quinto parágrafo da carta de Caminha, que traz a distância percorrida entre Cabo Verde, no continente africano, e Porto Seguro, na Bahia, que é de 660 léguas marítimas.
Ocorre que a distância entre o mesmo ponto de partida e o litoral de Touros-RN é de 530 léguas marítimas, portanto, 130 léguas marítimas a menos, o que faz uma grande diferença. Isso pode naturalmente ser pesquisado e comprovado por quem tenha alguma dúvida.
Uma outra carta arquivada no Museu da Torre do Tombo, em Portugal, é a famosa carta do mestre João, que era médico da esquadra de Cabral, conhecedor da cosmografia e perito no uso dos instrumentos náuticos e na localização através dos astros.
Segundo o historiador contemporâneo, respeitado e conhecido nacionalmente, Eduardo Bueno, o mestre João registrou a coordenada geográfica do desembarque de Cabral como sendo aproximadamente 17 graus da linha equatorial Sul.
Na realidade, a coordenada geográfica de Porto Seguro é exatamente 16º 22’ 20’’ latitude Sul, isso pela medição precisa através dos atuais GPS. O fato principal é que a coordenada do litoral de Touros-RN é 5º 3’ 41’’ latitude Sul, portanto, muito diferente da localização oficial. Pelo menos na matemática 16,2 está bem mais próximo de 17, do que 5,3. É verdade ou não é?
Na realidade, o Marco de Touros é um atestado de posse, um autêntico documento colonial que afirma a soberania de Portugal sobre a terra onde fora fixado, sendo o primeiro no Brasil e em torrão potiguar, no início da missão, e um outro na praia de Cananéia, em território paulista, simbolizando o final da missão, há mais de um ano após o Descobrimento do Brasil.
Durante quase quatro séculos o Marco de Touros foi visto como uma pedra santa, consagrado à devoção e à fé. Somente no ano de 1890, passou a receber importância histórica, após pesquisa do escritor pernambucano, José de Vasconcelos, autor da consagrada obra ¨Datas Célebres e Fatos Notáveis da História do Brasil, deu conhecimento da existência do primeiro marco de posse do Brasil, chantado a 5º 3’ 41’’ de latitude, Sul da linha equatorial, informações extraídas da carta de Vespúcio datada de 04 de setembro de 1504 e enviada a Piero Soderini, em Florença, na Itália.
O pernambucano José de Vasconcelos decidiu, na mesma época, ir ao local da coordenada geográfica, constatando a existência do marco de posse. Esse fato consta da ata da 16ª assembleia ordinária do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, com sede no Rio de Janeiro. Na oportunidade, o historiador cearense, Tristão Alencar Araripe sugeriu que o referido marco fosse transportado para a sede daquele Instituto, na capital federal, onde já se encontrava o Marco de Cananéia.
“Definitivamente, o Brasil nasceu juridicamente em 7 de agosto de 1501, em Touros no Rio Grande do Norte”
No Colóquio dos Institutos Histórico Brasileiros, realizado no Rio de Janeiro, em 1998, o então presidente do Instituto Histórico do RN, Dr. Enélio Petrovich, apresentou comunicado detalhando os acontecimentos que envolveram o Marco de Touros e solicitou o devido registro nos anais daquela Casa, diante de historiadores de todas as regiões do País e o pleno reconhecimento do fato histórico pela intelectualidade brasileira.
Além de Enélio Petrovich, vários escritores e historiadores estudaram sobre o Marco de Touros e posso citar alguns: Câmara Cascudo, Tristão Araripe, Diógenes da Cunha Lima, José Vasconcelos, Nestor Lima, Oswaldo de Souza, Nilson Patriota, Jeanne Nesi, Olavo Medeiros, Moacir Soares, Guarino Alves, Pedro Rebouças, Itamar de Sousa, João Alves de Melo, entre outros.
Após pesquisas minuciosas em documentos históricos, concluímos que o Marco de Touros tem um grande significado para a História do Brasil. Mesmo o Descobrimento tendo sido na Bahia, a posse por Portugal se deu no hoje Rio Grande do Norte. O Marco de Touros é a própria certidão de nascimento do maior país da América Latina. Definitivamente, o Brasil nasceu juridicamente em 7 de agosto de 1501, em Touros, no Rio Grande do Norte.
