Editorial
O RN PRECISA SE APROPRIAR
DA SUA HISTÓRIA PARA CONSTRUIR SEU FUTURO
QUANDO A TRAVESSIA para produzir esta edição especial da revista Municípios em Foco começou, o artigo “Scientific data in Pero Vaz de Caminha's letter” ainda nem havia sido publicado pela Universidade de Cambridge. O ponto de partida para a publicação era o texto que saiu pela revista Brazilian Journal of Science, publicado no final de 2024; e que reacendeu a tese de que foi na costa do Rio Grande do Norte que a esquadra de Pedro Álvares Cabral acabou desembarcando, há 525 anos, no acontecimento histórico chamado de “descobrimento do Brasil”.
A nova abordagem analisou a Carta de Caminha sob o ponto de vista da física, usando tecnologias hoje disponíveis. Em setembro, os físicos Carlos Chesman, da UFRN, e Cláudio Furtado, da UFPB (autores do estudo), conseguiram um feito inédito: publicar o artigo internacional defendendo a tese. Em novembro deste ano, após uma reportagem da Folha de São Paulo, a tese dos físicos ganhou o país e foi bater na Europa. Em tempo: o termo “descobrimento do Brasil” é usado para se referir ao fato, mas sempre entre aspas devido à discussão dos últimos anos que contesta a expressão.
Esta edição conta toda essa história; recupera e documenta os que iniciaram esse debate; e expõe como o RN perde ao não se apropriar dessa narrativa em seu favor. Este dossiê ouviu as pessoas que podem promover essa mudança e gerar benefícios para os potiguares. E questionamos o que cada um pode fazer para ajudar. As respostas estão nas páginas a seguir.
Este dossiê é também um mapa com as coordenadas para que o Rio Grande do Norte saia da inércia atual. Não há como se enganar: está aberta uma porta que tem o poder de gerar emprego, renda e desenvolvimento para o RN e para os municípios, por meio do turismo.
Sob essa ótica, a edição especial que sai agora expõe uma situação crítica para o estado: todos sabem que é possível fazer algo; muitos sabem inclusive o que é preciso fazer; mas, aparentemente, poucos estão preocupados em agir. Ou seja: faltam vontade e ação políticas.
Quem ler esta revista rapidamente vai chegar a uma outra conclusão óbvia: de que por meio da união das entidades, instituições e governos, o Rio Grande do Norte pode alcançar em pouco tempo outro patamar no que diz respeito ao turismo, a chamada “indústria” que irriga a economia potiguar em todos os seus poros.
É necessário agir. Ainda mais diante da divulgação gratuita e favorável que o assunto teve recentemente. A contribuição de Municípios em Foco está posta: é esta revista, seu conteúdo; e também esse alerta de que algo precisa ser feito.
O RN precisa se unir e abraçar essa tese, sua história, e usá-la como trampolim para seu futuro, um novo período no qual o estado deixa de ser uma promessa que jamais se realiza para passar a ser um exemplo de como se deve agir.
Navegar é preciso.
INOVAÇÃO E DIÁLOGO PARA COMBATER AS DIFICULDADES
RIACHO DA CRUZ, no Alto Oeste potiguar, é uma das cidades que sofrem com as dificuldades financeiras que as prefeituras no Brasil enfrentam diariamente. Há sempre uma insegurança com relação aos recursos esperados e sempre há risco de alguma mudança promovida em Brasília venha a afetar o equilíbrio das con- tas municipais.
No 4o mandato como chefe do Executivo local, o prefeito Marcos Aurélio Rêgo sabe bem o que é isso. Ele é um dos que reclama — com razão — das dificuldades e da falta de conscientização dos gestores com relação a seu poder. A experiência dele também já o ensinou que ficar só reclamando não vai adiantar nada. E é essa postura que faz com que Riacho da Cruz seja a capa desta edição de Municípios em Foco.
A prefeitura da cidade resolveu apostar no turismo de eventos e promoveu este ano a 8a edição do seu “Na- tal Encantado", com muita luz, shows e valorização da cultura local. Um mês de atrações para fazer com que a cidade atraia visitantes e também os filhos da terra que estão distantes. A expectativa é que passem pelo município de 30 a 40 mil pessoas.
Pode parecer pouco, mas não é. O festival se converte em oportunidade de renda para a população. E tam- bém há o fato de que a Prefeitura da cidade exige que as empresas contratem mão de obra local. Mas isso tudo só é possível porque o município está organizado.
É o tipo de experiência que vale a pena conhecer e divulgar; e que pode ser replicada para outras cidades que ainda não desenvolvem algo do tipo. A prefeitura soube usar a criatividade — e aproveitar uma oportu- nidade — para gerar benefícios ao município.
Nessa mesma linha, a revista traz reportagens sobre o uso da criatividade, do diálogo e da vontade de fazer com que as cidades do RN e o estado como um todo alcancem maior desenvolvimento. Mostra disso é a entre- vista com os presidentes da Assembleia Legislativa, deputado Ezequiel Ferreira de Souza; e da Federação do Comércio do RN, Marcelo Queiroz.
A seu modo, cada um dos dois vem transformando o Legislativo e o comércio. Ambos com a preocupação de levar crescimento a melhoria de qualidade de vida ao interior do estado.
Outro exemplo: a iniciativa do deputado Gustavo Carvalho que, após ouvir os prefeitos — por meio da Femurn — propôs e conseguiu aprovar projeto que garante repasse de tributos com regularidade para as cidades.
A revista traz ainda matérias úteis para os prefeitos e conta uma história de amor que resultou em um sistema que usa inteligência artificial para diagnosticar lesões bucais. No futuro, ele poderá ser usado por prefeituras, gerando economia e salvando vidas.
Boa leitura.
INICIATIVAS DE DESENVOLVIMENTO COM FOCO NOS MUNICÍPIOS
A TÔNICA DESTA NOVA EDIÇÃO da revista Municípios em Foco está na entrevista do presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte, Roberto Serquiz. Na conversa, ele explica os projetos que a Fiern apresentou ao Governo do Estado e que poderão resultar em benefícios para os municípios. Um deles está na Assembleia Legislativa e trata da criação da política industrial do RN, uma ação de estado que propõe levar a indústria para as cidades do interior do RN.
A outra iniciativa liderada por Roberto Serquiz diz respeito à revisão da legislação do licenciamento ambiental no estado. A ideia é que parte desse licenciamento passe para os municípios de modo que a burocracia seja reduzida e que isso atraia empreendimentos para as cidades pequenas, gerando emprego, renda e desenvolvimento.
O presidente da Fiern também já apresentou ao futuro governador, Walter Alves, um plano com o objetivo de promover mais desenvolvimento. Entre outras medidas, ele sugere a venda de ativos para que o RN possa constituir um fundo de desenvolvimento que possibilite ao RN ter contrapartida para atrair mais obras e projetos. Roberto Serquiz também acredita que os consórcios municipais são estratégicos para o Rio Grande do Norte. Pela força do associativismo, as pequenas cidades conseguem a estrutura necessária para colocar em marcha projetos que sozinhas não conseguiriam.
É nesse ponto, dos consórcios, que as ideias de Roberto Serquiz se encontram com as do atual prefeito de Areia Branca, Manoel Neto, conhecido como Souza. Ele está trabalhando para formar um consórcio multifinalitário que unirá sua cidade, Grossos e Tibau, a princípio. O pensamento de Souza também concorda com o de Roberto Serquiz no que diz respeito à infraestrutura. O prefeito está desenvolvendo uma série de ações para elevar as condições das estradas, da segurança e do abastecimento de água com o objetivo de atrair novos empreendimentos, aproveitando o potencial que a região oferece pela própria natureza.
As demais reportagens da revista também estão sincronizadas com esta ideia que encadeia infraestrutura, vontade política, menos burocracia e valorização dos potenciais potiguares. E que tem como objetivo obter desenvolvimento e melhoria da qualidade de vida para os potiguares. Exemplos disso são a entrevista com o senador Styvenson Valentim, que avalia a situação das prefeituras; o trabalho do Sebrae-RN com seu programa 'Feito Potiguar’; e o trabalho desenvolvido pelo presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira de Souza, para ajudar os municípios que enfrentam as dificuldades da seca. Ações e discussões que de maneira ampla e relevante têm como foco os municípios. Assuntos que precisam ser divulgados para serem mais debatidos e assim gerar avanço, objetivo maior desta publicação.
Boa leitura.
INFORMAÇÃO ÚTIL E RELEVANTE EM PROL DO DESENVOLVIMENTO
UMA DAS MAIORES MOTIVAÇÕES para a revista Municípios em Foco é divulgar projetos e iniciativas municipais que possam ser replicadas. Uma outra preocupação é sempre apresentar reportagens e notícias que possam servir para ajudar as administrações municipais no que elas têm de mais precioso: o poder de melhorar a qualidade de vida da população.
Nesse sentido, a revista está sempre à procura de gestores que tenham realizações e projetos para mostrar. Quando isso vem acompanhado de alguma novidade, melhor ainda. E foi essa condição que nos levou na edição de junho à cidade de Macaíba.
A reportagem tinha como objeto demonstrar como os distritos industriais alteraram a economia da cidade. Acabamos saindo de lá com uma notícia que vai muito além do que esperávamos encontrar.
Macaíba vai ter um novo polo industrial.
A estratégia definida pela prefeitura é o tipo de experiência que pode ser replicada para outras cidades ou pelo menos servir de parâmetro para iniciativas semelhantes.
A revista também tem sempre a preocupação de trazer assuntos que possuam alguma ligação com os municípios. Exemplos disso são a entrevista com o juiz eleitoral Herval Sampaio; e a notícia sobre o prazo para regularizar as informações relativas ao Fundeb.
Na primeira, o magistrado faz um relato direto acerca dos efeitos da fraude eleitoral por meio da transferência de domicílio eleitoral, suas implicações para os eleitores e para os políticos. Já com relação ao Fundeb, há o alerta feito pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-RN) sobre a necessidade de regularizar as informações relativas à aplicação do Fundo, sob pena de perda de recursos.
A edição traz ainda informações sobre o programa de concessões do Governo do Estado; sobre uma importante campanha desenvolvida pela Assembleia Legislativa; e uma entrevista com a promotora Elaine Cardoso de Matos Novais Teixeira, que até junho chefiou o Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN).
Elaine Cardoso foi a primeira mulher eleita para o cargo e assumiu o posto em 2021, ainda sob os efeitos da pandemia. Em 2023 ela foi reconduzida e agora, em 2025, encerrou sua gestão de quatro anos. Na entrevista ela detalha os desafios que enfrentou e as realizações que conseguiu desenvolver. Um de seus principais ob- jetivos foi aproximar mais ainda o MPRN da população, o que reflete diretamente nos municípios.
A nova edição da MF se consolida mais uma vez como um material útil e relevante para todas as pessoas que fazem ou que têm relação com as gestões municipais no Rio Grande do Norte. Essa é a forma que o jornalismo profissional pode contribuir para o desenvolvimento das cidades e a melhoria da qualidade de vida dos potiguares.
Boa leitura.
