EMERGÊNCIA CLIMÁTICA
Spread the loveEntre 10 e 21 de novembro de 2025, a trigésima Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP 30) está prevista para aportar ao Brasil, precisamente, em Belém/PA¹. Em 7 de novembro de 2025, segundo o serviço de monitoramento ambiental do Paraná, um tornado (classificação F3, na escala Fujita) com ventos de aproximadamente […]
Entre 10 e 21 de novembro de 2025, a trigésima Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP 30) está prevista para aportar ao Brasil, precisamente, em Belém/PA¹.
Em 7 de novembro de 2025, segundo o serviço de monitoramento ambiental do Paraná, um tornado (classificação F3, na escala Fujita) com ventos de aproximadamente 330 km/h atingiu a cidade de Rio Bonito do Iguaçu/PR, deixando-a com um quadro de 90% (noventa por cento) de destruição².
De acordo com o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (CREA/PR), 30% das edificações que sobraram terão que ser demolidas, devido ao comprometimento das estruturas³.
O referido tornado também provocou a morte de pessoas e animais, deixando ainda vários feridos⁴.
Para os negacionistas da emergência climática, talvez tudo possa ser creditado a uma mera coincidência, a saber, o fato de um tornado de tal magnitude destruir uma cidade brasileira apenas três dias antes do início da COP 30 numa outra cidade brasileira.
Mas, e as enchentes no Rio Grande do Sul em 2024⁵? Essas também poderiam ser tratadas como coincidência?
Ou a mortandade de peixes no açude Itans, em Caicó/RN, registrada em 12 de novembro de 2025, pelo fato de o reservatório estar no volume morto com aproximadamente 0,09% do total de sua capacidade de armazenamento hídrico, devido a uma estiagem mais do que prolongada que se verifica naquela região norte-rio-grandense⁶. E esse descompasso ambiental no Seridó potiguar? Para os tais negacionistas, certamente, também poderia ser visto como outra mera coincidência em relação àquela conferência lá em Belém/PA.
“A grande questão é que o homem está interferindo desastrosamente naquela interligação ambiental em nome, principalmente, do sacrossanto desenvolvimento econômico numa postura antropocêntrica e perversamente egoísta”
O ambiente, como já se disse com acerto, há de ser visto como um organismo vivo com certas inconstâncias e inovações que se influenciam reciprocamente num todo que se autorregula com tanta proximidade entre seus elementos que uma singela alteração num deles termina por modificar todos os demais⁷.
Com efeito, se a flor não precisa menos da abelha do que esta daquela, o mesmo ocorre, por exemplo, com o grande agronegócio brasileiro tão praticado no Centro-Oeste e Sul do País, em relação aos chamados rios voadores provenientes da floresta amazônica e à irrigação proveniente de bacias hidrográficas que nascem no cerrado brasileiro.
Deveras, tudo no ambiente está interligado e tende ao equilíbrio, como se verifica, por exemplo, no ciclo do carbono ou da água.
A grande questão é que o homem está interferindo desastrosamente naquela interligação ambiental em nome, principalmente, do sacrossanto desenvolvimento econômico, numa postura antropocêntrica e perversamente egoísta.
A ideia de que o outro não me diz respeito é um conforto para o egoísta que não se empenha em nada nem se sacrifica por nada que não seja a satisfação plena e imediata de seus próprios interesses⁸.
Assim, fica mais do que natural não pensar no bem-estar do ambiente (com seus elementos bióticos e abióticos), mas tão somente em servir-se plenamente dele e se, para tanto, a sua exaustão vier, que venha, contanto que os benefícios próprios tenham sido obtidos.
Para ilustrar melhor o tamanho e a gravidade do equívoco humano assinalado no parágrafo anterior, vale registrar o que ficou destacado noutra oportunidade:
Em primeiro lugar, a superfície terrestre representa o ponto de conjunção de três esferas inorgânicas da Terra, quais sejam, a atmosfera (camada gasosa), litosfera (camada sólida) e hidrosfera (camada líquida). Em segundo lugar, a biosfera consiste na camada da superfície terrestre que comporta a vida (animal e vegetal), sendo a antroposfera tão somente uma pequena porção daquela que abriga a humanidade. Vê-se assim que o homem está inserido num hábitat constituído por elementos abióticos (ar, água e solo) e bióticos (fauna e flora). (...)
A realidade dos mares plastificados é uma clara evidência desse vergonhoso comportamento humano antropocêntrico. Deveras, as águas marinhas estão tomadas por uma gigantesca quantidade de resíduo plástico que traz inúmeros prejuízos ao equilíbrio ecológico dos oceanos, indo desde o bloqueio da passagem da luz solar, prejudicando o desenvolvimento de flora e fauna marinhas, até a morte de animais pela ingestão de tal material poluente.
O plástico, frise-se, não é obra divina nem da natureza, mas criado pelo homem, para servir exclusivamente aos seus interesses. Com efeito, a tartaruga marinha não vem até a piscina das casas de praia para depositar nela o material plástico que encontra no oceano, embora morra cada vez mais devido a esse mesmo produto que o homem se encarrega de levar ao hábitat dela.
Do alto de um exemplo tão elementar quanto esse, cabe a pergunta: quem é mesmo o animal racional nessa história⁹?
Nesse contexto, o aquecimento global, os gases do efeito estufa e os buracos na camada de ozônio que decorrem da atividade humana são vizinhos dos mares plastificados, representando, portanto, uma notável contribuição antrópica perversa e egoísta para o colapso de um sem-número de viventes na Terra.
Por sua vez, os assuntos de ordem ambiental que permeiam a COP 30 não significam suposições ou previsões para um futuro distante, pois partem de adversidades ambientais já verificadas.
E o pior é saber que medidas para evitar tal realidade ambiental desastrosa são conhecidas há bastante tempo dos governos públicos (primeiro setor) e agentes econômicos (segundo setor). A ignorância, portanto, não pode servir como desculpa para o desajuste climático que está aí, frise-se, que já está acontecendo, ou seja, não se trata de algo que pode acontecer no próximo século.
Poder Público, em seus três níveis federativos, e uma vez mais, especialmente, no âmbito municipal, deve assumir uma postura firme na condução da sociedade politicamente organizada para práticas que cessem imediatamente o agravamento das condições climáticas na Terra.
Combater a dependência excessiva dos combustíveis fósseis como matriz energética, o desmatamento predatório, o assoreamento dos rios, a erosão do solo ou sua impermeabilização excessiva representa medida que pode ser adotada tanto pelo primeiro setor quanto pelo segundo e mais ainda pelo terceiro, porque interessa a todos eles.
Por outro lado, contribuir para as adversidades ambientais assinaladas no parágrafo anterior, seja por ação ou omissão, é investir decisivamente num cenário que tende a produzir, por exemplo, um tornado ainda mais forte lá no centro-sul paranaense ou uma estiagem ainda mais severa no Seridó potiguar.
Em suma, não há planta nem animal que se baste a si mesmo. O homem, por mais que queira, não escapa a esse mesmo destino, sendo, quando muito, uma mera pulga da Terra.
Portanto, se (o homem) continuar incomodando muito a Terra, é mais do que esperado que esta, tal como o cachorro, lance mão de umas sacudidelas planetárias (eventos climáticos extremos) tanto mais frequentes quanto mais for importunada por seu parasita (o homem), com o objetivo de se livrar de tal importunação.
- Fonte: https://brasil.un.org/pt-br/301371-cop30-no-brasil; acesso em 13-11-25.
- Fonte: https://g1.globo.com/pr/campos-gerais-sul/noticia/2025/11/11/imagens-exclusivas-mostram-passagem-de-tornado-cidade-do-parana.ghtml; acesso em 13-11-25.
- Fonte: https://g1.globo.com/pr/campos-gerais-sul/noticia/2025/11/11/imagens-exclusivas-mostram-passagem-de-tornado-cidade-do-parana.ghtml; acesso em 13-11-25.
- Fonte: https://g1.globo.com/pr/campos-gerais-sul/noticia/2025/11/11/imagens-exclusivas-mostram-passagem-de-tornado-cidade-do-parana.ghtml; acesso em 13-11-25.
- Fonte: https://www.gov.br/ana/pt-br/assuntos/noticias-e-eventos/noticias/estudo-aponta-que-enchentes-de-2024-foram-maior-desastre-natural-da-historia-do-rs-e-sugere-caminhos-para-futuro-com-eventos-extremos-mais-frequentes; acesso em 13-11-25.
- Fonte: https://g1.globo.com/rn/rio-grande-do-norte/noticia/2025/11/12/acude-itans-mortandade-peixes.ghtml; acesso em 14-11-25.
- Kurt Kloetzel, O que é meio ambiente, 2. ed., São Paulo: Brasiliense, 1998, p. 8, 21.
- Max Stirner, O único e sua propriedade, São Paulo: Martins Fontes, 2009, p. 231.
- D’Alembert Arrhenius Alves dos Santos. Fundamento constitucional do Direito Ambiental brasileiro: direito de solidariedade e o fim da polêmica entre antropocentrismo e ecocentrismo, Fórum de Direito Urbano e Ambiental – FDUA, Belo Horizonte, ano 15, n. 88, jul./ago., 2016, p. 17 e 20-21.
