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EMERGÊNCIA CLIMÁTICA É REAL E ESTAMOS VIVENDO AGORA

Spread the loveO mundo necessita ter mais sensibilidade, pois quando falamos em mudanças do clima, estamos falando de pessoas sendo afetadas todos os dias. O Brasil concluiu novembro com a 30a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), encerrada no último dia 21, em Belém (Pará), coração da Amazônia. A realização do evento mundial […]

O mundo necessita ter mais sensibilidade, pois quando falamos em mudanças do clima, estamos falando de pessoas sendo afetadas todos os dias.

O Brasil concluiu novembro com a 30a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), encerrada no último dia 21, em Belém (Pará), coração da Amazônia. A realização do evento mundial aconteceu pela primeira vez, na região que simboliza a urgência e a esperança da terra. É foco a urgência para aplicação de soluções efetivas que reduzam o aquecimento global. A COP30 realmente apresentou soluções, implementou acordos já fechados em edições anteriores, ouviu a ciência e fez o que deveria ser feito?

Defensor da sede do evento mundial, o presidente Lula da Silva discursou na abertura: “O bioma mais diverso da Terra é a casa de quase 50 milhões de pessoas, incluindo 400 povos indígenas. A Amazônia não é uma abstração, é um lar, é economia, é cultura, é vida. Trazer a COP para o coração da Amazônia foi árduo, mas necessário. Quando deixarem Belém, os delegados levarão o compromisso de agir, e o povo da cidade ficará com os investimentos que esta conferência trouxe. O mundo, enfim, poderá dizer que conhece a realidade da Amazônia".

“Ondas de calor podem se tornar 14 vezes mais frequentes. O nível do mar pode subir em 60 centímetros. Eventos climáticos extremos podem se multiplicar e se intensificar. Secas podem se tornar comuns em várias partes do mundo. O planeta necessita ter mais sensibilidade, pois quando falamos em mudanças do clima, estamos falando de pessoas sendo afetadas todos os dias”

É notório que o Acordo de Paris (2015) instituiu a meta de manter o aumento da temperatura média global abaixo de 2°C até o final deste século — preferencialmente limitá-lo a 1,5°C — e reduzir emissões de carbono provenientes da queima de combustíveis fósseis (petróleo, carvão e gás natural). Mas as emissões só crescem a cada dia. O relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) publicado este mês registra que as emissões subiram 2,3% em 2024, chegando ao recorde de 57,7 gigatoneladas de CO2.

O mundo continua caminhando para um aumento de temperatura entre 2,3°C e 2,5°C até o fim do século, mesmo que todos os compromissos climáticos atuais sejam cumpridos. Esse foi o alerta do Pnuma, este mês, que vê a terra cada vez mais distante da meta de limitar o aquecimento global a 1,5°C.

Os mais pessimistas podem dizer que há décadas, conferindo as estatísticas e as últimas edições das COPs, comprova-se que a mobilização global está abaixo do desafio e que acordos parecem distantes. Para conter o aquecimento em 2°C no fim do século, as emissões em 2030 teriam de cair 25% em relação ao registrado em 2019, e 40% para atingir a marca de 1,5°C.

A Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), braço climático da ONU, analisou 86 contribuições nacionalmente determinadas (NDCs) de países integrantes. As NDCs são planos estabelecidos por cada governo, que listam quais medidas seus países tomarão para contribuir para a meta do Acordo de Paris, de conter o aquecimento global. Mas esses planos reduziriam as emissões verificadas em 2019 em só 12% até 2035. Assim, estima-se que o mundo chegará a 2100 com aquecimento de 2,8°C.

Sendo assim, o mundo começa agora a sofrer as consequências. Com o aumento da temperatura global, as ondas de calor podem se tornar 14 vezes mais frequentes. O nível do mar pode subir em 60 centímetros. Eventos climáticos extremos podem se multiplicar e se intensificar. Secas podem se tornar comuns em várias partes do mundo. O planeta necessita ter mais sensibilidade, pois quando falamos em mudanças do clima, estamos falando de pessoas sendo afetadas todos os dias.

Emergência climática é real e estamos vivendo agora. Esses eventos climáticos extremos têm acometido também o Brasil nos últimos anos. Exemplos? As enchentes que causaram a maior tragédia ambiental da história do Rio Grande do Sul em 2023 e 2024. Os deslizamentos em São Sebastião e Petrópolis, as tragédias no Norte de Minas, em Recife, no sul da Bahia. Sem falar da seca extrema na Amazônia em dois anos consecutivos e os incêndios no Pantanal, ano passado. Agora? O tornado devastador que atingiu municípios do Paraná, deixando um rastro de destruição. O fenômeno raro ocorreu praticamente na véspera da cúpula global sobre o clima em Belém.