Livro difunde nas escolas os princípios e valores da yoga
No mundo das letras jurídicas, despachos e sentenças, ele é Paulo Sérgio da Silva Lima, 54 anos, paraibano, juiz da 2a. Vara da Fazenda, em Natal. Mas, no mundo das belas-letras, ele assina Paulo D’Aurel nas capas dos livros de esoterismo, filosofia oriental e, mais recentemente, de literatura infanto-juvenil que publicou, sozinho ou em parceria com Alexandre Gomes. Os dois escreveram Prem, Prym e as portas mágicas, lançado no ano passado e já adotado como leitura paradidática em escolas de alguns municípios potiguares.
O livro nasceu de uma história imaginada por Alexandre – na verdade, o argentino Alejandro Gomez – para as filhas. Paulo sentiu que ali havia potencial para construir uma narrativa so- bre valores, com base na yoga, e a história se fez verbo. “O livro é bem aberto, dá ampla possibilida- de de os professores trabalharem de maneira individual, de acordo com a vertente pedagógica que a escola adota. Porque o texto traba- lha com quatro portas, acessíveis
apenas aos humanos, e dentro de cada porta vai ter uma aventura com grandes ensinamentos, valo- res e uma orientação às crianças no sentido de formá-las como se- res humanos integrais. E a última porta é bastante interessante por- que ela é aberta, é creacionista, então pode-se trabalhar o método humanista, tradicionalista, cons- trutivista e creacionista”, resume Paulo D’Aurel.
Ele é escritor, poeta, filósofo, fotógrafo e tradutor. Sua obra inclui três livros de fotografias com poemas e uma tetralogia sobre a filosofia oriental, que aprendeu como adepto da Kriya Yoga, introduzida no Ocidente pelo guru Paramahamsa Prajnanananda. D’Aurel fez sua iniciação como Kriyayan em 2012, no Mother Center do Instituto Kriya Yoga, em Homestead (EUA). Tra- duziu obras do guru para o por- tuguês e lidera o Instituto Kriya Yoga do Brasil e o Centro Kriya Yoga em Natal. A próxima obra para o público infanto-juvenil já está definida: é o livro Lar doce lar dos animais, com a mesma pegada educativa do primeiro texto.
A gente sentiu a necessidade de resgatar os valores de ética, responsabilidade, solidariedade, fraternidade, que estão um pouco ausentes ultimamente.
“O livro vai trazer ensinamentos de caráter mais geográfico para as crianças e sobre meio ambiente, trazendo a fauna brasileira, para as crianças lerem e trabalharem de maneira lúdica”, conta Paulo D’Aurel. “A gente sentiu a necessidade de resgatar um pouco aí os valores de ética, responsabilidade, solidariedade, fraternidade, que estão um pouco ausentes ultimamente. Principal objetivo é formar ser humano íntegro nas suas relações familiares, escolares, de trabalho, na própria construção de uma nação melhor.”
A presença do livro nas es- colas tem uma característica especial: aproxima a yoga da educação pública, com vantagens comprovadas para os alunos. “Em algumas escolas”, diz o escritor, “já estão adotando a prática meditativa para as crianças. Está comprovado cientificamente que a meditação contribui enorme- mente para o desenvolvimento do cérebro. As crianças produzem mais e rendem mais na escola. A meditação traz para as crianças esse sentimento de integração com a natureza, com a vida, e isso é colocado no livro na parte em que eles sentem essa conexão de fundo com a natureza.”
D’Aurel diz que a descoberta da literatura infanto-juvenil é um caminho novo em sua trajetória como escritor. “Estou tomando gosto pela coisa, vendo a utilidade social, e já estou fazendo esse outro livro”, afirma. “É difícil escrever pra criança. Eu escrevo livros filosóficos – esoterismo, filosofia oriental – e, ao escrever para criança, eu tive que voltar em voo rasante para tentar me colocar na visão de uma criança e ver as palavras adequadas, que elas possam compreender aquele nível de vocabulário. Mas sempre me preocupo em colocar uma coisinha, uma palavrinha a mais, diferente, para incitar a curiosidade e não ficar estagnado.”
