LIVRO INFANTIL APRESENTA OS BIOMAS BRASILEIROS AO PÚBLICO ESCOLAR
juiz Paulo Sérgio da Silva Lima é um raro autor de textos infanto-juvenis nas letras potiguares. Aos 54 anos, ele chega ao segundo título, sempre re- correndo à forma e à linguagem literárias para criar livros que, além de entreter, provocam reflexões sobre temas incorporados ao currículo das escolas. Em Lar DoceLardosAnimais, assinado, como o primeiro, pelo heterônimo Paulo D’Aurel, o magistrado discorre sobre questões ambientais em uma obra acessível às crianças com até 7 anos de idade, apresentando os diversos biomas brasileiros – Floresta Amazônica, Mata Atlântica, Caatinga, Pampa, Pantanal e Cerrado – e contribuindo para a formação da consciência preservacionista desde os primeiros anos escola- res. Nesta autoentrevista, D’Aurel detalha o processo de elaboração da obra e os vínculos da ficção com a realidade.
“A escrita literária é um hobby. Para mim, escrever é o ato de extravasar o que há de mais essencial dentro do meu ser”
Conte-nos um pouco da sua obra Lar Doce Lar dos Animais, de como ela foi construída e de que trata o conteúdo do livro?
Essa obra infantil é voltada para crianças de 0 a 7 anos. Nas idades mais tenras, os pais podem ler para os seus filhos, introduzindo-os no mundo da literatura de maneira leve e instrutiva. O livro foi criado a partir de conversas que eu travava com um amigo octogenário, Seu Jorge. Ele gostava de me relatar suas viagens pelo Brasil a fora na época em que era um jovem caminhoneiro. Por isso o personagem avô das crianças se chama “Seu Jorge”. Aproveitei para dar uma conotação infantil à história, trazendo o nosso imenso Brasil, mais particularmente seus biomas e sua fauna, ao conhecimento das crianças.

Então, é um livro que aborda a preservação do meio ambiente? Sim, já que familiariza as crianças com o meio ambiente brasileiro, focando no habitat de cada animal, o que, consciente ou inconscientemente, traz essa necessidade de respeitar os seus “lares”. Daí por que o título do livro é
Lar Doce Lar dos Animais.
Qual foi a inspiração para os personagens Huguinho, Nandinha e Laninha?
São meus filhos, Hugo, Ananda e Alana (risos). Hoje já são adultos, mas resolvi homenageá-los, man- tendo seus perfis infantis, até por que esse é o quadro que se eterniza no íntimo dos pais.
E Dona Inês, quem é?
Além de ser um nome literário que achei adequado para personificar a avó, trata-se do nome da minha cidade de nascimento, Dona Inês, na Paraíba.
Lar Doce Lar dos Animais não é sua obra de estreia na literatura infantil...
Não. Antes do Lar Doce Lar dos Animais, lancei o livro infantil Prem, Priya e as Portas Mágicas, voltado para crianças de 8 a 11 anos. Esse livro traz uma escrita mais extensa e elaborada, voltada para essa faixa etária. Aí se colocou uma aventura de dois irmãos no mundo dos sonhos, em que adentram portas mágicas, dentro das quais encontram enigmas, di- versões e surpresas, além de uma lição de vida que cada porta proporciona.
Além de livros infantis, você também tem obras voltadas para o público adulto?
Sim. Para o público adulto escrevi as seguintes obras: “O Ser e a Existência” e “O Mensageiro do Amor”, ambas de poesia e fotografia. Também sou fotógrafo amador (risos); “Um Refrigério
para a Alma”, de frases de auto- ajuda e fotografias; “Ensaios sobre a Lei da Vida”, uma coletânea que já conta com 4 volumes. A pre- tensão é fechar com 6 volumes. Trata-se de um comentário dos Dez Mandamentos sob uma perspectiva aprofundada; também lancei uma obra que está tendo uma grande aceitação do público, por ser um livro de reflexões sobre como encarar os diversos desafios da vida no dia a dia. Trata-se do livro “Aquietai-vos e Sabei que Eu Sou Deus – Reflexões para um bem viver”.
Um fato interessante é que, além de escritor, você é o juiz de Direito Paulo Sérgio da Silva Lima. Como concilia as atividades de escritor e juiz?
A atividade de juiz é fundamentalmente dedicada à escrita e interpretação, porém, de maneira regrada. Apenas fiz uma digressão para um ângulo dessa mesma atividade, dando livre vazão ao meu cabedal acumulado das obras humanísticas e espirituais que li ao longo do tempo. A escrita literária para mim, portanto, é um hobby. Para mim, escrever é o ato de extravasar o que há de mais essencial dentro do meu ser, e só dessa maneira eu consigo escrever literariamente. Uma escrita poética ou estética puramente intelectual não consegue fluir da minha pena.
