Setor vive expansão tecnológica, mas tem escassez de mão de obra
A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a constitucionalidade da Lei 13.429/2017, que liberou a terceirização das atividades-fim das empresas, expandiu o mercado de prestação de serviços e favoreceu o cresci- mento de um nicho da economia cada vez mais imprescindível também ao bom funcionamento do setor público. Um exemplo dessa evolução induzida pela chamada Lei da Terceirização e reforçada pela reforma trabalhista é o Grupo JMT, constituído a partir da empresa JMT Service, fundada em 2005.
“Começamos só com mão de obra, que continua a ser nosso carro-chefe, mas hoje entregamos também serviços de automação, mais voltados para a tecnologia”
“No decorrer desses dezoito anos, adquirimos outras empresas e passamos a aumentar os ser- viços em outras atividades, como coleta de lixo hospitalar, vigilância ostensiva e segurança”, conta Jonas Alves da Silva, 47 anos, sócio administrador do grupo JMT.
“Começamos só com mão de obra, que continua a ser nosso carro-chefe, mas hoje entregamos também serviços de automação, mais voltados para a tecnologia, em questões de monitoramento, de vigilância à distância e de monitoramento veicular.”
O grupo atua em 13 unidades da federação, nas regiões Nor- deste, Centro-Oeste e Sul, e tem cerca de 14 mil empregados, que atendem a 160 clientes, entre em- presas privadas e entes públicos. Os números expressivos atestam a expansão contínua do JMT e o acerto da estratégia de diversificar os serviços prestados e os produtos tecnológicos ofereci- dos. “Houve de fato uma evolução quando a gente começou a agregar tecnologia à mão de obra. Alguns serviços passaram um pouco a ser só tecnologia, acompanhando o mercado. Se a gente não tiver essa visão de futuro, ter- mina ultrapassado”, acrescenta Jonas Alves.
Ele ressalta que há setores nos quais um mecanismo ou tecnologia pode substituir mão de obra, o que ratifica a importância da modernização do grupo para continuar bem-posicionado no mercado regional e no nacional. Mas, apesar das inovações e dos avanços, o setor de terceirização ainda lida com um problema co- mum a todos os segmentos da economia brasileira: a falta de profissionais em funções que requerem maior especialização. “Em certas atividades mais técnicas, mais especializadas, ainda há escassez de profissionais qualificados”, resume Jonas. “Quando a gente não consegue encontrar, tem que investir internamente para dar oportunidade de crescimento, treinando, capacitando, fazendo uma nova formação.”
SETOR PÚBLICO
Ao liberar a terceirização nas atividades-fim, o STF franqueou o acesso das empresas de terceirização a serviços essenciais de alto impacto social, como a rede de saúde pública ou priva- da. “Hoje uma empresa de saúde pode terceirizar todo o seu quadro funcional, mantendo apenas o comando do seu gestor”, enfatiza Jonas. O mesmo ocorre no se- tor público, em escala até maior. Há atividades com praticamente cem por cento de terceirização. Sem essa alternativa, seriam in- viáveis.
“Um hospital público não conseguiria diminuir a infecção se não tivesse um serviço técnico de higienização hospitalar como o que nós oferecemos. Nem conseguiria entregar um serviço de lavanderia a contento, se não houvesse uma terceirizada ali. Até por- que o serviço público carece de mecanismos e de certas, vamos di- zer assim, condições técnicas que acompanhem a modernização do setor e possam trazer a eficiência que ele precisa”, finaliza o empresário.
