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STYVENSON VALENTIM: "APRENDI A DIALOGAR SEM ABRIR MÃO DOS MEUS PRINCÍPIOS"

Spread the loveNa entrevista, o senador Styvenson Valentim (PSDB) está em seu 7o ano de mandato. E, hoje, ele reconhece que no início dessa trajetória “era fechado, tinha preconceito, achava que todo político era igual”. Isso mudou. Styvenson Valentim conta na entrevista concedida à MUNICÍPIOS EM FOCO que aprendeu a dialogar sem abrir mão de […]

Na entrevista, o senador Styvenson Valentim (PSDB) está em seu 7o ano de mandato. E, hoje, ele reconhece que no início dessa trajetória “era fechado, tinha preconceito, achava que todo político era igual". Isso mudou. Styvenson Valentim conta na entrevista concedida à MUNICÍPIOS EM FOCO que aprendeu a dialogar sem abrir mão de seus princípios.

Outro diferencial do senador foi estabelecer uma regra para a destinação de suas emendas: os recursos só vão para quem demonstra transparência no uso do dinheiro. Foi exigido inclusive que as prefeituras divulgassem a lista de pessoas que seriam atendidas, de modo que os beneficiados possam acompanhar o andamento dos processos.

Ele acredita que, sem esse trabalho parlamentar, os municípios estariam totalmente desamparados. E que a atual gestão da Federação dos Municípios (Femurn), conduzida pelo presidente Babá, cumpre um papel importante de não fazer da entidade apenas um apêndice político.

Na entrevista, o senador fala ainda sobre alguns de seus projetos, avalia (e critica) os governos federal e estadual; e comenta se sua atuação poderia ter mais resultado caso estivesse no Executivo e não no Legislativo. “Onde eu estiver é o trabalho transparente, reto, ético e em prol do povo que irá me conduzir", afirma.

Como o senhor avalia a situação dos municípios no Rio Grande do Norte atualmente?
Os municípios estão sufocados. Nos últimos anos a situação só piorou. O FPM caiu, o governo não repassa o que é de direito, e as cidades que não têm arrecadação própria mal conseguem fechar a folha de pagamento. Resultado: não sobra nada para investir. Quem tem segurado a barra são os parlamentares com as emendas. E isso é o que tem que acontecer. Os parlamentares têm acesso a emendas que podem mudar esta realidade dos municípios. É com elas que eles podem conseguir custear saúde, educação, pavimentação, drenagem. É nos municípios que a vida acontece, e é lá que tudo isso faz falta de verdade.

Quais os maiores desafios que as cidades enfrentam atualmente? E o que é necessário para resolver este problema?
O maior desafio é o prefeito fazer malabarismo com pouco dinheiro: paga folha, tenta manter a cidade funcionando e ainda precisa entregar infraestrutura básica. O caminho é gestão eficiente, transparência e o apoio de União e Estado. Como eu disse, é aí que entram os parlamentares. Aqueles que se comprometem com o povo que os elegeu. É assim que nós temos conseguido levar tantas iniciativas, tantas obras, tantas ações aos municípios. Se Brasília e o Governo do RN não olharem para os municípios, não adianta discurso.

Como o senhor tem desenvolvido seu trabalho com relação às prefeituras? Mudou algo de quando começou para agora?
No começo eu era fechado, tinha preconceito, achava que todo político era igual. Achava que todo político roubava. Aí criei uma regra simples: nossas emendas só vão para quem mostra transparência. Fizemos um portal público. Quem presta contas, mostra nota, obra funcionando, equipamento entregue, continua recebendo. Quem não mostra, não recebe. No início foi um choque, porque muita gente estava acostumada com esquema. Hoje, quem se adaptou tem nossa confiança e os resultados aparecem em obras, hospitais, equipamentos, cirurgias. Aliás, as cirurgias que custeamos com nossas emendas em tantos municípios são um capítulo à parte. Nosso mandato começou a exigir que as prefeituras publicizassem a lista das pessoas que iriam passar por elas, de modo a que estas pessoas pudessem acompanhar a ordem dos procedimentos e cobrar as secretarias e as prefeituras. No começo, disseram que isso não seria possível porque feria a Lei Geral de Proteção de Dados. Nós provamos que não e hoje esta lista, a ordem das cirurgias que custeamos, é pública. Está no nosso site. Inclusive, eu convido toda a população a visitar nosso site e nos ajudar a cobrar toda a transparência de cada centavo que nós colocamos em cada prefeitura.

Recentemente, o senhor foi citado como apoiador da futura construção do Parque Linear em Natal. Como se deu sua participação neste projeto?
Esse projeto eu acompanho desde a gestão de Álvaro. O Exército me procurou e propunha a construção de duas unidades militares, a um custo de cerca de R$ 15 milhões, em troca da cessão da área. A construção do parque também está estimada em R$ 15 milhões. Depois o prefeito Paulinho Freire também pediu apoio. Eu entrei com parte dos recursos via emendas. Apoiei porque é um projeto que muda a cara da cidade: turismo, lazer e meio ambiente. Natal precisa de algo desse porte. Faz mais de 20 anos que não temos um e novo grande produto turístico.

Que avaliação o senhor faz da atuação da Federação dos Municípios e como ela pode ajudar ainda mais às prefeituras?
A FEMURN tem papel importante: junta a voz dos prefeitos e torna a cobrança mais forte. Pode avançar em capacitação, em apoio técnico, em formar consórcios públicos e em pressionar de forma organizada o Congresso e o Governo Federal. O atual presidente, Babá, tem o grande mérito de não deixar que a entidade seja apenas um apêndice, um puxadinho de governo ou de algum parlamentar. A Femurn é grande demais para se reduzir a isso.

O senhor é autor do projeto que restringe a publicidade das bets. Como está o andamento deste projeto e o que o senhor espera dele?
O projeto está tramitando e já foi apensado a outros. A publicidade das apostas é nociva. Não é questão de proibir o jogo, mas de limitar a exposição. Porque quando uma pessoa perde tudo em jogo, não quebra só a própria vida, mas a da família também. E os jovens são os mais atingidos.

Também é de sua autoria o PL 1.612/2019, que torna mais rígida a pena para quem comete novamente a infração de dirigir alcoolizado. Como surgiu a ideia e como está a situação dele?
Isso veio da minha experiência na Lei Seca. Vi gente morrendo por irresponsabilidade de quem bebe e dirige. Quem já foi pego uma vez e insiste precisa de pena mais dura. O projeto está em tramitação, tem boa aceitação e acredito que vai passar.

Após 7 anos no Senado, que avaliação faz da Casa? Acha que poderia fazer mais se estivesse no Executivo?
No início eu estava totalmente desadaptado, achava que não podia conversar com ninguém porque política era sinônimo de corrupção. Aprendi a dialogar sem abrir mão dos meus princípios, porque só assim conseguimos aprovar projetos e liberar recursos. No Executivo, a execução é mais rápida, mas também a pressão é maior. Não é o que penso agora. Hoje meu compromisso é com o povo do RN, que votou em mim ou não. Grupo político não me prende. Trabalho para o cidadão. Quem estiver ao meu lado ou me quiser ao seu lado tem que ter esta máxima como fio condutor de tudo o que for dizer ou fazer. Se eu poderia fazer mais no Executivo? Não sei. Nunca estive lá. Só sei que, onde eu estiver, é o trabalho transparente, reto, ético e em prol do povo que irá me conduzir.

Que avaliação faz dos governos federal e estadual no RN?
É só olhar as pesquisas: mais de 70% dos potiguares reprovam o governo do estado. Saúde em frangalhos, hospitais sem insumos, educação em último lugar dos rankings nacionais, escolas sem estrutura. O governo estadual não tem uma grande obra ou projeto consistente para mostrar. O governo federal perde tempo com discussões que não mudam a vida do brasileiro. Falta eficiência, sobra retórica. O povo não é bobo, sabe quem trabalha e quem não trabalha. Tenho a esperança de que isso possa ser cada vez mais atirado na cara de quem tenta fazer o povo de bobo.